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LAGOA NEGRA

 

A Mina e a Lagoa

 

Lagoa Negra! Pélago profundo de águas lutuosas, como a carpir os mortos que tem no seio – negras águas tingidas de escuridade pela caligem de uma noite de Quarta-feira de trevas! -a quantos pobres de Cristo terás tu dado forçado agasalhamento, ó tenebrosa Lagoa Negra”.

 

Esta lendária lagoa, situada no lugar de Lagoa Negra, próximo dos limites desta freguesia com Estela e Laúndos (Póvoa de Varzim), não é mais do que a memória de um complexo mineiro romano ou pré-romano. Além da grande cota inundada (hoje lagoa), ainda são perceptíveis os locais dos óculos das minas, a sua orientação no sentido sul norte e a grande escombreira sobre a qual ainda existem ruínas de um moinho de vento.

 

Com o tempo vingou a designação de lagoa ou lagoa negra para os restos das minas e Lagoa Negra para a povoação mais para noroeste.

 

Para a elaboração do seu historial a documentação é muito escassa. Sabe-se, contudo, que está situada numa zona de subsolo com pequenos filões quartzozos e auroantimoniferos segundo a carta geológica. Além disso, nos arredores há vestígios de mamoas como a mamoinha da Rocha que serve de marco de limite da freguesia, o castro de S. Félix e o de Terroso da época castreja e a povoação de Barqueiros da época romana, indiciando uma intensa ocupação humana desde a antiguidade.

 

É de crer na hipótese de as minas da Lagoa Negra terem sido exploradas na época castreja. Com efeito, presume-se que nessa época se trabalhou ouro em Terroso, Laúndos e Estela. É bem possível, conforme opinião de Ferreira de Almeida, que esse ouro tivesse sido explorado nessas minas.

 

Na época romana é provável que tivessem uma exploração mais intensa, justificando mesmo a referida via veteris a passar junto à costa.

 

Abandonadas e inundadas, as lendárias minas teriam caído no esquecimento. Mais tarde, a água tingida pelos xistos, motivou o nome actual: lagoa negra. Contudo, em documentos antigos, a para da designação do lugar – Lagoa Negra – aparece Aqualata, Aqualada ou Agalada a designar a lagoa. Senão veja-se:

 

- Em 1108 surge como ponto de referência na localização de um terreno em Criás (Apúlia), situado entre os ribeiros de Fontanelo e Aqualata Lacona Nigra e os povoados de Rial e Gontarici (Contriz, Estela). O primeiro ribeiro poderá ser o regato a sul de Criás, a poente da Estrada Nacional 13 e o segundo, Aqualata, é o que atravessa a lagoa e desagua no anterior próximo e a nascente da referida Estrada Nacional 13.

 

- Pouco tempo depois, em 1140, na definição dos limites do couto de Estela, entre outros pontos d referência surge o referido ribeiro de Fontanelum e o Auteiro de Aqualada. Este outeiro poderá ser uma ligeira elevação de terreno a sudoeste da lagoa por onde ainda hoje corre a fronteira entre Barqueiros e Estela.

- Nas Inquirições de 1258, apesar de não haver referência directa à lagoa, surge a curiosa denominação de Macenaria, como segundo nome da povoação individualizada da Lagoa Negra. Actualmente parece não existir topónimo igual ou parecido neste lugar.

 

- Voltando à lagoa: em 1332, num aforamento de terrenos feito a três famílias, por D. Afonso IV, na povoação de Lagoa Negra, há uma referência à agalada dos mytaes. Metais?

 

- É natural que a memória das minas ainda persistisse, dado que, séculos mais tarde, em 1758, nas Memórias Paroquiais, o pároco da altura mencionava “uma lagoa de que há memória se tem tirado ouro”.

 

 


 

 

 

 



 



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